Meu nome é João Ricardo Louzada. Sou natural de Pindamonhangaba - SP e este texto tem por finalidade dar publicidade às minhas pesquisas sobre o ramo da família Soares Louzada de minha cidade. As informações, em grande parte, foram encontradas nos livros de batismo e casamento de algumas paróquias do Vale do Paraíba, em SP e no RJ. Outras informações estão referenciadas no próprio texto.
Irei percorrer a linhagem masculina da família, pois é ela que carrega o nome “Soares Louzada” ou, mais recentemente, apenas “Louzada”, o que facilita encontrar documentos. A família possui alguns homônimos, e a grafia do nome Louzada, por vezes, aparece como Lousada (com S) em determinados documentos.
O texto foi construído inteiramente do ponto de vista das minhas pesquisas pessoais. Caso seu interesse seja apenas compreender quem são os antepassados da família Louzada, ou simplesmente conhecer uma especulação sobre as prováveis movimentações da família desde Portugal até Pindamonhangaba, é possível ir diretamente às seções “Provável Trajeto: de Portugal à Pinda” e “Árvore da Família”.
Toda a pesquisa que levou à construção deste site começou em 2015, quando minha tia-avó Inácia visitou minha família e me contou muitas histórias sobre os Louzadas e sobre a vida na fazenda no Bom Sucesso. Sou muito agradecido por aqueles encontros e por todos os detalhes que ela compartilhou. É sempre um imenso prazer conversar com ela sobre esse assunto.
Hoje, 10 de dezembro de 2025, dia da publicação deste site, é aniversário da Tia Maria Inácia Louzada de Oliveira, filha de Arlindo Soares Louzada e Maria Olímpia de Jesus.
Ela foi casada com José Marques de Oliveira e tem 6 filhos, 19 netos, 18 bisnetos e 3 tataranetos!
Tia Inácia nasceu em 10 de dezembro de 1925 — portanto, hoje ela completa 100 anos!
Parabéns, tia!
Como a senhora mesma diz: "Para os 200 ainda falta muito!"
Arlindo Soares Louzada, também conhecido como meu bisavô, é meu ponto de partida. Ele nasceu e passou boa parte da vida morando no bairro do Bom Sucesso. O bairro do Bom Sucesso fica na estrada que liga Pindamonhangaba a Campos do Jordão. Uma particularidade desse bairro rural é que ele é atravessado pela Estrada de Ferro Campos do Jordão, que liga as duas cidades mencionadas anteriormente.
Arlindo nasceu em 01/12/1881 e foi batizado em 07/01/1882 na igreja matriz de Santo Antônio do Pinhal.
Consegui localizar o registro de batismo de Arlindo no livro de Santo Antônio do Pinhal. Esse livro pertence à Diocese de Taubaté e está localizado no arquivo da diocese em Taubaté.
Arlindo era trabalhador rural e proprietário de uma fazenda de café no mesmo bairro do Bom Sucesso. Segundo os relatos que tive, a fazenda se localizava próxima ao km 3 da rodovia Dr. Caio Gomes Figueiredo. O local seria a algumas centenas de metros após o restaurante Rancho Fundo e antes do balneário do Reino das Águas Claras. Ele foi casado com Olímpia Maria de Jesus e, contando adotivos e natimortos, tiveram 14 filhos. Em idade mais avançada, Arlindo e Olímpia venderam a fazenda e se mudaram para o bairro Campo Alegre, em Pindamonhangaba.
É interessante notar que o batismo de Arlindo foi realizado em Santo Antônio do Pinhal e não em Pindamonhangaba.
O bairro do Bom Sucesso, onde Arlindo e sua família moravam, é o local por onde passa a Estrada de Ferro Campos do Jordão. A estrada de ferro foi idealizada para transportar doentes de tuberculose para Campos do Jordão. Antes da estrada de ferro, o acesso à cidade era feito por mulas, burros, cavalos ou a pé. A ferrovia, idealizada pelos médicos sanitaristas Emílio Marcondes Ribas e Victor Godinho, começou a ser construída em 27 de abril de 1912 e foi concluída em 15 de novembro de 1914. Isso significa que, em 1882, o batizado de Arlindo realizado em Santo Antônio do Pinhal ocorreu após a família ir até a cidade a pé, ou por meio de animais. A distância é de aproximadamente 30 km, morro acima.
Quando eu era criança e perguntei para minha avó e tias de onde a família havia vindo, a resposta alternava entre Rio de Janeiro e Resende. Por isso, sempre imaginei que, antes de se fixar em Pindamonhangaba, a família tivesse passado pela cidade de Resende – RJ. Tia Inácia, quando questionada, me deu a mesma informação: que nossa família veio de Resende – RJ.
Para compreender melhor as raízes de Arlindo, é necessário voltar uma geração, aos seus pais: Antonio Soares Louzada e Adelaide Correia d`Oliveira (Essa informação está no registro de batismo de Arlindo).
Ainda nos arquivos da Diocese de Taubaté, encontrei o registro de casamento de Antonio Soares Louzada e Adelaide Correia de Oliveira, celebrado na matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso em 22/09/1880 ao meio-dia. O registro menciona que os pais de Antonio eram Marciano Soares Louzada e Ignacia Maria da Conceição, e os de Adelaide, José Luiz Correa e Anna Maria Magdalena. Consta ainda que os pais de Antonio eram naturais de Espírito Santo da Barra Mansa, e os pais de Adelaide, de São Sebastião da Barra Mansa.
Uma história interessante de mencionar aqui é que, antes de qualquer pesquisa, Tia Inácia havia me contado que o nome do avô dela era Antônio Marciano Louzada. Mas os documentos mostram que o nome correto é Antonio Soares Louzada e que o bisavô da Tia Inácia se chamava Marciano. Isso me faz pensar se Antonio herdou informalmente o nome Marciano do pai, talvez como um apelido, sendo conhecido como Antonio Marciano.
Pesquisando sobre a localidade de Espírito Santo da Barra Mansa, descobri algumas informações. Espírito Santo da Barra Mansa é um distrito localizado, hoje, no município de Barra Mansa – RJ. À época, este distrito era chamado de Espírito Santo da Barra Mansa, mas depois teve seu nome alterado para Distrito do Espírito Santo e, posteriormente, para Distrito de Rialto. Essas mudanças ocorreram durante os desmembramentos das cidades da região. Originalmente, os distritos de São Sebastião da Barra Mansa e Espírito Santo da Barra Mansa pertenciam à cidade de Resende – RJ (o que confirma a informação que recebi da minha avó e também da Tia Inácia), mas em 1857 o distrito de São Sebastião da Barra Mansa se tornou cidade — a atual Barra Mansa — e anexou o distrito de Espírito Santo da Barra Mansa.
Tia Inácia me disse que Antonio faleceu quando ela tinha por volta de 9 anos de idade, aproximadamente em 1934. Ela conta que se lembra dele com os cabelos bem batidos e recorda que ele era comerciante. Segundo Tia Inácia, Antonio enriqueceu com seu armazém, onde vendia de tudo, incluindo bacalhau.
Há alguns anos consegui encontrar um documento judicial de 1886 no Arquivo Histórico de Pindamonhangaba (Documento JORF Caixa 089 nº 3). Trata-se de um pedido de “licença para casamento” feito por Antonio Soares Louzada ao Juiz de Órfãos para autorizar o casamento de sua cunhada, que, por ser órfã, precisava de autorização para casar. Esse documento é muito interessante, pois contém a assinatura de Antonio.
Durante minhas pesquisas sobre a família Soares Louzada no arquivo da Diocese de Taubaté, além da certidão de casamento de Antonio, também encontrei a certidão de casamento de Carlos Soares Lousada e Maria da Pureza de Jezus. Os dois se casaram em 16/06/1888 às 16h, na mesma paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Pela proximidade das datas, ficou a impressão de que havia algum parentesco entre Antonio e Carlos, mas nos registros existem algumas divergências.
O registro de Carlos traz o sobrenome escrito com S, “Lousada”, e o nome do pai aparece como sendo Mariano, enquanto no registro de Antonio o nome do pai é Marciano. Os nomes das mães também divergem: no registro de Carlos, a mãe é Ignez Maria da Conceição; no de Antonio, é Ignacia Maria da Conceição. Pelas semelhanças, minha impressão inicial era de que fossem irmãos, mas, devido às diferenças de grafia — que podem ser apenas erros de escrita — eu não tinha como confirmar.
Quatro anos depois, encontrei um segundo documento que confirmou que Carlos Soares Louzada é irmão de Antônio Soares Louzada. O documento em questão é o registro de nascimento de Marianna, nascida em 22/12/1893, filha de Carlos e Maria da Pureza. O registro relata que Maria da Pureza de Jesus faleceu durante o parto de Marianna, ocorrido às três horas da manhã. Isso significa que o casamento de Carlos e Maria durou apenas cinco anos. No documento, também é confirmado que os pais de Carlos são Marcianno Soares Louzada e Ignácia Maria da Conceição.
Voltando mais uma geração, chegamos a Marciano Soares Louzada, pai de Antonio, cuja trajetória abre novas pistas sobre a origem da família na região do Vale do Paraíba.
Após descobrir que a origem da família estava ligada a Barra Mansa, entrei em contato com a Diocese de Barra do Piraí e Volta Redonda para tentar encontrar mais informações sobre Marciano Soares Louzada, pai de Antônio. A diocese, porém, não possui um arquivo centralizado com os livros antigos de batismo e casamento. Fui informado de que grande parte do material disponível está localizada na Paróquia de São Sebastião, na cidade de Barra Mansa.
Em contato com essa paróquia, consegui encontrar o registro de batismo de Anna, nascida em 07/12/1877, filha legítima de Marciano Soares Louzada e Ignacia Maria da Conceição. Embora esse registro não seja a certidão de batismo de Antônio, ele se mostrou muito importante porque apresenta o nome dos avós paternos e maternos. São eles: avós paternos — Manoel Joaquim Louzada e Anna Maria José Louzada; e avós maternos — Antonio Bento da Silva e Anna Maria da Conceição.
Durante o processo de pesquisa encontrei na internet dois sites muito interessantes. São eles:
Genealogia Freire - Primeiros povoadores Soares Louzada
eProjeto Compartilhar - Família Antonio Soares Louzada
Embora mantidos por pessoas diferentes, ambos os sites utilizam uma mesma fonte fundamental: a pesquisa genealógica realizada por Itamar Bopp.
Por isso, para compreender melhor as informações apresentadas nesses sites, é importante contextualizar quem foi Bopp e o peso de seu trabalho.
Itamar Bopp foi um genealogista, historiador e tabelião que dedicou grande parte da vida a estudar as famílias antigas de Resende (RJ). Gaúcho de origem, fixou-se na cidade de Resende e reuniu mais de 80 mil registros de batismos, casamentos e óbitos locais. Produziu obras fundamentais sobre os primeiros povoadores do Vale do Paraíba fluminense e tornou-se a principal referência em genealogia de Resende.
Nesses sites, com referência à pesquisa de Bopp, é apresentada a árvore genealógica da Família Soares Louzada, partindo de Antônio Soares Louzada e Maria Bicudo Leme (esse Antônio Soares Louzada é um homônimo do avô da tia Inácia), que viveram no século XVIII, e de seus filhos, que estão entre os primeiros povoadores de Resende.
Inicialmente pensei que a família Louzada de Pindamonhangaba deveria, em algum ponto, se conectar à árvore genealógica de Resende criada por Bopp. Mas eu estava errado, a família pesquisada por Bopp é um ramo diferente da família Soares Louzada. Antonio Soares Louzada, marido de Maria Bicudo Leme, provavelmente é irmão ou parente de Nicolau Soares Louzada
O site Genealogia Freire era mantido pelo Dr. José Eduardo de Oliveira Bruno, com quem entrei em contato e que me explicou que, após o falecimento de Bopp, a família dele permitiu que o Dr. Bruno conservasse todo o material de pesquisa do genealogista. O Dr. Bruno, por sua vez, digitalizou toda a pesquisa — milhares de fichas de catálogo — e me forneceu um CD com todos os dados coletados por Bopp.
Tentei por mais de dois anos subir mais uma geração e encontrar informações sobre Manoel Joaquim Louzada, pesquisando tanto na Paróquia de São Sebastião, em Barra Mansa, quanto na Diocese de Lorena, em busca de registros que pudessem esclarecer sua origem. Também procurei em outras igrejas de cidades como Bananal, São João Marcos e Barra do Piraí.
A principal dificuldade é que a maioria dessas localidades não possui livros de casamento ou batizado anteriores a 1850. Apenas poucos volumes desse período sobreviveram — a maior parte já se perdeu ao longo dos anos. Os livros da cidade de Resende, que em teoria seriam os primeiros a serem consultados, foram completamente destruídos em dois incêndios ocorridos na matriz local.
Com isso, o único material genealógico sobre Resende que ainda existe é o conjunto de registros reunidos pelo senhor Itamar Bopp, cuidadosamente catalogados por ele antes do segundo incêndio.
A primeira referência que encontrei sobre Manoel Joaquim Louzada estava no material do Sr. Bopp, ficha nº 37V: “Manuel Joaquim Louzada também aceitou a administração do Correio de ‘Uma localidade que não vem especificada na ata da ses.da CM.de 13-8-1832.’”
Mais tarde, descobri que “ses.da CM” significa “Sessão da Câmara Municipal”.
Aparentemente, Manoel trabalhou como administrador de uma agência dos Correios, e essa pista me levou a outras informações interessantes. Pesquisei sobre as antigas agências postais de Rialto/Barra Mansa — antigo distrito de Espírito Santo da Barra Mansa — e encontrei muitos dados no site:
A agência postal de Rialto foi criada apenas em 1883, portanto muito depois de 1832, o que impossibilita que tenha sido a agência administrada por Manoel. Já a agência de Barra Mansa, criada em 29/03/1833 e ainda ativa, é uma forte candidata a ter sido aquela sob sua administração.
Sei que a família, por volta de 1877 (ano de nascimento de Anna), vivia em Rialto e não em Barra Mansa, distante cerca de 15 km. A chegada da Estrada de Ferro D. Pedro II / Central do Brasil à região ocorreu em 1871, e o site Agências Postais também apresenta um mapa antigo indicando que existia um ramal ferroviário que saía de Barra Mansa, passava por Rialto e seguia até a cidade de Bananal.
Não tenho confirmação sobre isso, mas especulo que Manoel Joaquim Louzada tenha sido administrador dos Correios em Barra Mansa e que, posteriormente, aproveitando a facilidade proporcionada pelo ramal ferroviário, a família — ou pelo menos o filho Marciano — tenha se deslocado para Rialto para trabalhar em fazendas de café.
Falando em fazendas de café, vale a pena relembrar o contexto histórico da época. Em 1808, D. João VI chegou ao Brasil fugindo das tropas napoleônicas. Ele criou o Correio-Mor, reorganizou rotas postais, abriu portos, criou estradas e melhorou caminhos existentes.
Após 1822 (Independência), o Brasil passou a reorganizar administrativamente seu sistema postal, criando agências dos Correios nos principais núcleos urbanos.
No Vale do Paraíba, as primeiras agências dos Correios surgiram após a formação oficial dos municípios, geralmente na primeira metade do século XIX. A cidade de Barra Mansa e a primeira agência dos Correios local foram criadas em 1832 e 1833, respectivamente.
Por volta de 1830, o Vale do Paraíba (Resende, Barra Mansa, Piraí etc.) vivia o auge da economia do café, iniciada no final do século XVIII e início do XIX. A região era composta por grandes fazendas escravistas, ligadas comercialmente ao porto do Rio de Janeiro, para onde o café era transportado por terra.
Não existiam ferrovias ainda — o transporte era feito por tropas de mulas, utilizando antigas rotas coloniais. Décadas depois, em 1871, ocorreu a chegada da ferrovia (E.F. D. Pedro II / Central do Brasil) a Barra do Piraí, e entre 1875 e 1880 houve o avanço da linha para o interior do Vale do Paraíba.
Durante as tentativas de descobrir informações sobre Manoel Joaquim Louzada, tentei utilizar o Google com diferentes variações do nome — Manuel, Lousada, Joaquin, etc. Essa busca trouxe dois resultados interessantes em jornais antigos.
O primeiro foi da edição de 23/06/1838 do Diário do Rio de Janeiro. Nesta edição consta:
“O Sr. Manuel Joaquim Louzada, tem uma carta de Lisboa, na rua do Rozaio n. 53”
O segundo resultado foi o exemplar de 29/03/1830 do Aurora Fluminense. Nesse jornal há uma tabela com o nome e a quantia doada por diversos contribuintes. O título da tabela é:
“Lista das pessoas que subscreverão em S. João Marcos, a benefício dos infelizes enfermos das Villas de Macaçú e Magé (…) Manoel Joaquim Louzada $320”
O interessante desse jornal é que ele informa que Manoel Joaquim Louzada vivia no município de São João Marcos em 1830.
Outro detalhe relevante é que essa mesma tabela também apresenta um “Antonio Salustiano Soares Louzada 4$000”.
A presença de Antonio Salustiano aqui é importante porque ajuda a reforçar outro documento que abordaremos adiante.
A cidade de São João Marcos é um tópico interessante principalmente porque ela não existe mais. Se hoje você pesquisar “São João Marcos” no Google Maps, a resposta será o bairro de mesmo nome pertencente ao município de Rio Claro – RJ. O antigo município de São João Marcos foi esvaziado e demolido na década de 1940 devido à formação da represa de Ribeirão das Lajes, destinada à produção de energia elétrica e ao abastecimento da cidade do Rio de Janeiro. Ainda hoje é possível visitar as ruínas da antiga cidade, localizadas na Rodovia Luiz Ascendino Dantas, km 20.
São João Marcos surgiu no século XVIII, em torno de uma capela fundada por João Machado Pereira em 1739. Ao longo do período imperial, tornou-se freguesia e posteriormente município. Localizada no Vale do Paraíba fluminense, a cidade cresceu rapidamente com a expansão da cafeicultura, atingindo seu auge no século XIX como uma das localidades mais prósperas da província do Rio de Janeiro. Em seu período de maior prosperidade, sua população chegava a cerca de 18 a 20 mil habitantes, incluindo a zona rural, com intensa produção agrícola, comércio ativo e vida urbana estruturada.
A economia baseava-se quase inteiramente no café, sustentada pelo trabalho escravizado. A cidade desenvolveu uma elite rural rica, além de um núcleo urbano com teatro, escola, hospital, clubes, ruas calçadas e casas de padrão elevado. Após a Abolição, a queda do café no Vale do Paraíba e as mudanças econômicas nacionais levaram a uma forte crise. A região perdeu força produtiva, as fazendas se endividaram e parte da população migrou, iniciando um processo contínuo de decadência ao longo do início do século XX.
O fim definitivo veio quando a Light decidiu ampliar a Represa de Ribeirão das Lajes para o abastecimento do Rio de Janeiro. Entre os anos 1930 e 1940, o governo estadual extinguiu o município, removeu os moradores e permitiu a demolição quase total da cidade. O antigo território foi incorporado a Rio Claro, e São João Marcos tornou-se um símbolo histórico do Vale do Paraíba — hoje preservado parcialmente como parque arqueológico, onde ruínas e fragmentos da antiga cidade testemunham sua antiga riqueza e seu desaparecimento forçado.
À primeira vista, temos a impressão de que Manoel Joaquim Louzada morava em São João Marcos até 1832. O problema é que, por volta de 1830, os limites do território de São João Marcos não estão claramente definidos. Encontrei referências de que pelo menos parte dos territórios de Piraí e Barra do Piraí pertenceram a São João Marcos — ou a São João do Príncipe (antigo nome de São João Marcos). Portanto, ao dizer que Manoel Joaquim Louzada era “de São João Marcos”, é possível que ele vivesse de fato em São João Marcos, ou em Piraí, em Barra do Piraí, ou ainda em alguma área que na época integrava o território de São João Marcos e que, a partir de 1832, passou a pertencer a Barra Mansa.
Além de Marciano, também encontrei outros filhos de Manoel Joaquim Louzada. A primeira é Leopoldina, que se casou com José Manuel Valdez em 29/09/1847, na cidade de Bananal. Esse registro está no Livro 2, folha 93, do livro de casamentos de Bananal, o qual está em posse do arquivo da Diocese de Lorena.
A segunda filha que encontrei é Maria, batizada em 13/03/1821 na cidade de Pouso Alegre – MG. Maria aparece nesse registro como filha de Manoel Joaquim Lousada e de Anna Josefa. Esse achado me deixou particularmente confuso, pois Pouso Alegre fica relativamente longe de Barra Mansa. Mais tarde, descobri que Pouso Alegre funcionava, desde 1755, como um posto de cobrança do quinto do ouro que saía de Minas Gerais — informação que fará sentido adiante.
Após vários meses de pesquisa na internet, encontrei novamente em Pouso Alegre um terceiro filho, Elias. Ele foi batizado na matriz de Pouso Alegre em 16/04/1820, filho de Manoel Joaquim Louzada e Ana Josefa da Conceição.
Por fim, encontrei o registro de casamento de Manoel Joaquim Lousada e Ana Josefa, realizado em 01/05/1819. Consta no documento que Manoel Joaquim Lousada era natural de Conceição do Serro, filho legítimo de Marcos Soares e de Maria Clara. Já Dona Josefa era natural da Vila da Campanha, filha de Joaquim Gonsalves de Ferreira, já falecido, e de Dona Joana Maria.
Esse registro foi localizado a partir de um pedido de dispensa matrimonial feito por Manoel, no qual ele solicitava autorização para o casamento. Um detalhe relevante desse processo é a assinatura da testemunha Antonio Salustiano Soares Lousada — o mesmo nome que aparece no jornal Aurora Fluminense, em 1830, como doador para “infelizes enfermos das Villas de Macaçú e Magé”.
A presença da assinatura de Antonio Salustiano Soares Lousada nesse processo foi fundamental para afastar a possibilidade de existir um homônimo de Manoel Soares Louzada. Com isso, é possível afirmar com segurança que Manoel casou e teve pelo menos dois filhos em Pouso Alegre – MG, entre 1820 e 1821.
Em 1830, ele já residia em alguma localidade pertencente ao município de São João Marcos – RJ. Em 1832, assumiu o cargo de administrador de alguma unidade dos correios, possivelmente na cidade de Barra Mansa. Sua família finalmente passou a viver no distrito de Rialto, em Barra Mansa – RJ, em algum momento entre 1832 e 1877. É bastante provável que Manoel nunca tenha morado em Rialto, sendo essa residência atribuída apenas ao seu filho Marciano e à família deste.
Para entendermos como a família chegou a se estabelecer na região do Vale do Paraíba, precisamos voltar à geração de Marcos Soares Louzada, pai de Manoel Joaquim.
Além de Manoel, consegui localizar que Marcos teve outros filhos: Maria Angélica, casada em 04/08/1798 com Antonio da Costa Barros, na paróquia de Barbacena; José, batizado em 26/07/1777 na paróquia de Caeté, registrado como filho legítimo de Marcos Soares Lousada e Maria Clara.
Também encontrei um registro de batismo de (um) Marcos na paróquia de Aiuruoca – MG, datado de 21/03/1743, filho de Nicolau Soares Lousada e de sua mulher Joana Maria de Marins.
A probabilidade de que esse registro se refira ao mesmo Marcos, pai de Manoel Joaquim Louzada, decorre de vários fatores. O primeiro é a presença do sobrenome Soares Louzada associado ao pai, Nicolau. O segundo é a compatibilidade cronológica: um nascimento em 1743 colocaria Marcos com cerca de 34 anos no batizado do filho José e aproximadamente 55 anos no casamento da filha Maria Angélica — ambas idades plenamente plausíveis para a época.
Além disso, em 1743 a cidade de Resende ainda não existia (foi fundada apenas em 1744). Segundo o estudo de Itamar Bopp, os Soares Louzada que povoaram inicialmente Resende vieram justamente de Aiuruoca. Os registros do Projeto Compartilhar, baseados na “Genealogia Paulistana” [Referencia aqui], também afirmam que Nicolau Soares Louzada seguiu esse mesmo trajeto: residiu em Aiuruoca e posteriormente mudou-se para Resende. Essa migração de Nicolau explica, de forma plausível, o motivo do retorno da família de Marcos para a região do Vale do Paraíba fluminense.
Por fim, o fato de Marcos ser um primeiro nome relativamente incomum entre os Soares Louzada desse período reforça a hipótese de que não se trata de homônimos, mas sim do mesmo Marcos Soares, marido de Maria Clara.
Nesse ponto da pesquisa, minha principal dúvida era por que a família se movimentou por tantas cidades diferentes. Temos Manoel Joaquim, batizado em Conceição do Serro, vivendo posteriormente em Pouso Alegre e em São João Marcos, além de ter um filho estabelecido em Barra Mansa. Também temos Marcos Soares, batizado em Aiuruoca, com uma filha casada em Barbacena e outro filho batizado em Caeté. Todas essas localidades são bastante distantes entre si, e a locomoção até 1830 era feita quase exclusivamente a pé ou em lombo de animais.
O contexto histórico do Brasil neste período ajuda a explicar essas movimentações. No final do século XVII, bandeirantes paulistas descobriram importantes jazidas na região que hoje corresponde ao estado de Minas Gerais. O ciclo do ouro ocorreu de forma mais intensa entre 1690 e 1808. Para combater o contrabando e assegurar a cobrança do quinto, a Coroa portuguesa estruturou a Estrada Real, definindo rotas oficiais para o transporte do ouro.
O primeiro trajeto, conhecido como Caminho Velho, ligava Paraty → Serra do Mar → Vale do Paraíba → Minas Gerais. Isso fazia com que quem transportasse ouro passasse obrigatoriamente pelos principais núcleos do caminho: Paraty, Guaratinguetá, Baependi, Ouro Preto, Caeté, Serro e Diamantina. Aiuruoca, vizinha de Baependi, viveu inclusive sua própria “mini corrida do ouro” entre 1705 e 1710.
Segundo o estudo de Itamar Bopp, alguns membros da família Soares Louzada se estabeleceram em Aiuruoca na primeira metade do século XVIII e, com o declínio do ouro, migraram para a região que mais tarde formaria o município de Resende, incentivados também pela distribuição de sesmarias. Nessa nova região, dedicaram-se à construção e ao trabalho em fazendas de café.
Ao que tudo indica, enquanto parte da família seguiu esse movimento de Aiuruoca para Resende, outros integrantes, como possivelmente Marcos Soares Louzada, continuaram a acompanhar a rota da Estrada Real rumo a Ouro Preto e Diamantina. Com o esgotamento da mineração e a ascensão da cafeicultura no Vale do Paraíba, esses mesmos indivíduos teriam retornado de Minas Gerais e se estabeleceram na região de São João Marcos, onde a economia do café ganhava força.
Retrocedendo ainda mais no tempo, chegamos a Nicolau Soares Louzada, pai de Marcos, cuja vida no início do século XVIII lança luz sobre a origem mais antiga do ramo familiar.
Nicolau Soares Louzada, nascido em 1705, casou-se primeiramente em 1734 com Tomásia Ribeiro*, nascida em 1717. Após o falecimento de Tomásia, casou-se pela segunda vez com Joana Maria de Jesus, filha de Maria Marins do Prado e Marcos Lopes [Projeto Compartilhar]/[ASBRAP nº23].
Nicolau Soares Louzada, pai de Marcos Soares Louzada, também teve outros filhos: Manoel, batizado em 15-12-1738; Maria, em 19-02-1741; José, em 18-07-1745; Ana, batizada em 09-10-1747; Joana Maria da Conceição; Nicolau Soares de Faria; e Escolástica Maria de Jesus [Projeto Compartilhar].
De acordo com a Revista da ASBRAP [ASBRAP nº9], [ASBRAP nº14] e [ASBRAP nº23], Nicolau Soares Louzada era filho de João Soares de Louzada, nascido por volta de 1675, e Margarida da Assunção Cabral.
João Soares de Louzada (nascido por 1675) casado com Margarida da Assunção Cabral, moradores na freguesia de Nossa Senhora da Piedade (do Guaipacaré) filho de Capitão Nicolau Soares Louzada (nascido por 1645). [ASBRAP nº9]
Cap. Nicolau Soares de Louzada, juiz ordinário em Guaratinguetá em 1663, casado com Joana Vieira [ASBRAP nº23].
Sobre o Cap. Nicolau Soares de Louzada, além de ter exercido o cargo de juiz ordinário em Guaratinguetá em 1663, há indícios de que tenha sido também um dos primeiros presidentes do Senado da Câmara de Guaratinguetá 1665 como pesquisado por Helvécio de Vasconcellos Coelho e informado neste link:
O cargo de presidente do Senado da Câmara, equivalente ao que hoje seria o de presidente da Câmara de Vereadores, à época acumulava também as funções executivas, já que ainda não existia o cargo de prefeito.
Não encontrei nenhum outro documento ou referência ao Capitão Nicolau Soares Louzada, tão pouco encontrei informações sobre seus antepassados ou sua origem. Mas com base na época e no sobrenome Soares de Louzada, é bastante provável que o Capitão Nicolau Soares de Louzada tenha origem no norte de Portugal, especialmente nas regiões do Douro, Minho ou Trás-os-Montes. O sobrenome Louzada/Lousada é toponímico e está ligado diretamente ao concelho de Lousada, no distrito do Porto — um dos mais antigos núcleos de povoamento português. Famílias com este sobrenome aparecem em registros desde o século XVI nessas áreas, frequentemente vinculadas a pequenos proprietários rurais, homens de milícia local e oficiais da administração concelhia, perfis compatíveis com alguém que, ao migrar para o Brasil, pudesse assumir cargos como juiz e presidente da Câmara em uma vila importante como Guaratinguetá.
Entre 1650 e 1663, período no qual ele teria emigrado, a maior parte dos portugueses que vinham ao Brasil era natural do Norte e Centro de Portugal, regiões mais densamente povoadas e que enfrentavam dificuldades econômicas após a Guerra da Restauração (1640–1668) contra a Espanha. Muitos jovens, sobretudo homens, deixavam suas freguesias em busca de ascensão social nas colônias. Era comum que pessoas com alguma instrução ou experiência militar — como seria o caso de um “Capitão” — fossem recrutadas ou incentivadas a partir rumo ao ultramar, onde poderiam ocupar cargos administrativos em câmaras municipais, ordenanças e milícias locais.
Esse fluxo também foi impulsionado pela crescente importância das vilas do interior paulista, como Guaratinguetá. Na metade do século XVII, essas regiões estavam se expandindo como pólos de criação de gado, abastecimento e organização das bandeiras. Muitos portugueses recém-chegados se integraram rapidamente à elite local, ocupando cargos como juiz ordinário, juiz de órfãos, vereador e presidente da câmara, funções que exigiam confiança da comunidade, certo grau de alfabetização e boa reputação. Assim, o perfil de Nicolau Soares de Louzada — nascido provavelmente por volta de 1645, exercendo cargos de responsabilidade já na década de 1660 — se encaixa perfeitamente no de um português que chegou jovem ao Brasil, oriundo do norte do país, buscando oportunidades e mobilidade social em uma vila em plena formação.
O sobrenome Soares Louzada é formado por dois elementos característicos da onomástica portuguesa: um patronímico (Soares) e um toponímico (Louzada/Lousada). Soares indica descendência (“filho de Soeiro/Soaro”), enquanto Louzada sugere ligação com uma localidade, muito provavelmente o antigo concelho de Lousada, no norte de Portugal. Contudo, há também uma possível associação etimológica com o termo “lousa”, usado em português para designar ardósia, pedra utilizada tanto na escrita quanto na construção. Sobrenomes relacionados a materiais naturais ou profissões (como Pedreira, Freitas, Caldeira) eram comuns na formação dos apelidos portugueses.
Não há, porém, indícios geológicos de que o concelho de Lousada tenha sido, historicamente, região de grande extração de ardósia. Isso abre espaço para duas hipóteses igualmente plausíveis: (1) famílias que trabalhavam com lousa, ardósia ou atividades ligadas à pedra podem ter adotado o nome Lousada/Louzada como designação profissional ou territorial; ou (2) o nome já pertencia a um grupo familiar e acabou sendo toponimicamente fixado, contribuindo para a denominação da localidade ao longo da Idade Média. Em Portugal, é relativamente frequente esse duplo fenômeno: famílias que tomam o nome de uma terra e terras que, por tradição ou prestígio, passam a carregar o nome de uma família.
A região de Lousada foi, desde o período medieval, ocupada por pequenos fidalgos rurais, lavradores abastados e administradores locais, muitos deles adotando sobrenomes ligados ao território. Assim, a combinação Soares + Louzada pode refletir tanto uma origem geográfica quanto um apelido profissional antigo, posteriormente fixado pela linhagem. Entre os séculos XVI e XVII, a emigração portuguesa para o Brasil era intensa, especialmente a partir do norte — Porto, Minho e Trás-os-Montes — e é nesse movimento que o sobrenome Soares Louzada chega à Capitania de São Paulo, consolidando-se em famílias que mais tarde se espalhariam por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Dessa forma, embora a relação direta entre a família e a vila portuguesa não possa ser provada sem documentação adicional, é historicamente coerente admitir ambas as possibilidades: que os antepassados trouxeram o nome da localidade de origem — Lousada —, ou que, em tempos ainda mais remotos, a própria localidade tenha herdado sua designação de um ramo familiar que ali se estabeleceu.
Para facilitar a leitura e ajudar na compreensão da história da família, apresento logo no início a árvore genealógica completa. Ela funciona como um guia visual: você pode consultá-la para identificar cada pessoa mencionada ao longo do texto, entender as relações familiares e acompanhar a evolução das gerações. Use o esquema como referência sempre que surgir alguma dúvida sobre quem é quem.
Como já mencionado anteriormente, entre 1640 e 1668 Portugal passou pela Guerra da Restauração, um dos períodos mais instáveis da história portuguesa. Nesse contexto, muitos portugueses — especialmente das regiões Norte e Centro — emigraram para as colônias em busca de estabilidade e ascensão social. É possivelmente nesse movimento migratório que o Capitão Nicolau Soares Louzada deixa o Norte de Portugal e vem para o Brasil. Documentos confirmam que ele e sua primeira geração de filhos se estabeleceram em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. A cidade era um dos principais pontos de recepção dos imigrantes que desembarcavam no porto de Paraty (RJ) e subiam a Serra do Mar por um caminho que mais tarde seria conhecido como Estrada Real.
A linha familiar segue com João Soares Louzada, filho do Capitão Nicolau, que permanece na região de Guaratinguetá. A geração seguinte é representada por Nicolau Soares Louzada, neto do Capitão, que será um dos responsáveis pela expansão do ramo para outros territórios do Sudeste.
No início do século XVIII, esse neto — Nicolau Soares Louzada — já aparece, junto com seu filho Marcos, residindo em Aiuruoca (MG). A região vivenciou uma pequena corrida do ouro entre 1705 e 1710 e ficava próxima ao eixo principal de circulação da Estrada Real. É nesse período que ocorre uma importante divisão familiar: Marcos segue pela Estrada Real rumo ao centro de Minas Gerais, fixando-se em Conceição do Serro, enquanto Nicolau desloca-se para o Vale do Paraíba Fluminense, onde participa da fundação de Resende (RJ).
Outro ramo da família, formado pelos descendentes de Antônio Soares Louzada e Maria Bicudo Leme — possivelmente sobrinhos desse mesmo Nicolau — também migraram de Aiuruoca para Resende, indicando um movimento amplo da família em direção ao vale fluminense.
Essa migração coincide com a transição da economia do ouro para o ciclo das fazendas de café. Até então, não existiam estradas ligando Guaratinguetá ao Rio de Janeiro; todo o ouro era transportado pela Estrada Real até Paraty e seguia de navio para a capital. A presença constante de piratas nesse trecho marítimo levou a Coroa Portuguesa a planejar um caminho terrestre entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Para isso, distribuiu sesmarias ao longo do futuro traçado, incentivando que colonos se instalassem ali, abrissem fazendas e dessem origem a núcleos urbanos que, mais tarde, se tornaram cidades como Resende e Barra Mansa. A presença dos Louzada nesse processo os coloca entre os pioneiros do povoamento regional.
Na geração seguinte, Manuel Joaquim Louzada, filho de Marcos, nasce em Conceição do Serro — local diretamente ligado ao ciclo do ouro. Em 1821, Manuel já se encontrava residindo em Pouso Alegre (MG), onde se casou e formou família. Desde 1655, Pouso Alegre funcionava como entreposto de cobrança do quinto, consolidando-se como ponto urbano relevante.
A partir de 1830, Manuel Joaquim e (seu irmão?) Antônio Salustiano aparecem em registros ligados ao antigo município de São João Marcos. Pouco depois, em 1832, Manuel assume a administração de uma unidade dos Correios não informada, possivelmente situada em Barra Mansa — o que indica sua participação nas atividades administrativas da região.
Em 1877, Marciano Soares Louzada, filho de Manuel, já estava estabelecido no distrito de Rialto, em Barra Mansa. Ali nasceu sua filha Anna e dali também provêm os registros de seus filhos Antônio Soares Louzada e Carlos Soares Louzada, que levaram o sobrenome para o Estado de São Paulo ao se mudarem para o bairro do Bom Sucesso, em Pindamonhangaba.
A inauguração e a consolidação da Estrada de Ferro Central do Brasil — cujo primeiro trecho foi oficialmente aberto em 29 de março de 1858 — ampliou significativamente a circulação de pessoas e mercadorias entre Rio de Janeiro, Vale do Paraíba e o interior paulista. Esse corredor ferroviário provavelmente facilitou o deslocamento de Antônio e Carlos de Rialto para Pindamonhangaba, inserindo a família na dinâmica de mobilidade da época.
Ambos se casaram em Pindamonhangaba e estabeleceram suas famílias na região. O filho de Antônio, Arlindo, tornou-se proprietário de uma fazenda de café no mesmo bairro. Seus filhos nasceram nessa fazenda, onde a família viveu até que Arlindo e sua esposa decidiram mudar-se para o bairro do Campo Alegre, mais próximo do centro da cidade. Essa trajetória encerra um processo migratório provavelmente iniciado no Norte de Portugal no século XVII e consolidado, já no final do século XIX, no interior paulista.